Portas de Bronze - Fé- Arte- História
As atas do Conselho Deliberativo da SCALA, de 05/11/1969 até a de número 27, de 10/06/1977, nos remetem às origens históricas das portas de bronze, cuja inauguração só vai ocorrer quatorze anos mais tarde.Após quatro anos de tratativas, no dia 06 de Agosto de 1973, no Palácio da Prefeitura de Feltre, presentes as mais altas autoridades da cidade, foi firmado um documento entre o Maestro Augusto Murer e o Pároco de São Pelegrino, Pe. Eugênio Giordani, através do qual o primeiro se compromete a criar, em gesso, três moldes para as portas, com motivos fornecidos pelo mesmo Pároco - Paz, Justiça e Amor - dentro do tempo suficiente para serem fundidas em Caxias do Sul, para o Centenário da Imigração (1975) pelo preço estipulado no contrato.
Vários foram os documentos exigidos e complicadas as tratativas junto aos órgãos competentes para a liberação dos moldes, embalados em nove caixas, pesando 6.535 kilos. Verifica-se que de Gênova a Caxias do Sul, a viagem da "preciosa carga" , demandou pouco mais de dois meses.
Quando chegaram os moldes da Itália, a fundição das portas finalmente foi negociada com o Pe. Eugênio Giordani e o Sr. Humberto Tomé.
Naquele aperto de mão, que não precisou de contrato, nasceram as portas da Igreja São Pelegrino. A fundição, em cera perdida, teve a orientação do Mestre uruguaio Miguel Angel Laborde, especialista neste processo, e executadas na Siderúrgica Tomé Ltda., que atualmente é registrada como Tomé S.A Ind. de Autopeças.
( Brugalli, Alvino Melquides - Portas de Bronze- Fé Arte História, Caxias do Sul, 2004)
Augusto Murer
Miguel Angel Laborde
Tome S.A


As Portas de Bronze da Igreja São Pelegrino foram encomendadas pelo Padre Eugênio Giordani. Trata-se de uma obra de arte, um verdadeiro monumento com conotação bíblica e de elogio à saga da imigração italiana. A concepção das portas iniciou-se em 1969 e consumiu 14 anos de trabalhos até a inauguração em 23/10 de 1983.
A fundição, em bronze foi realizada em Caxias do Sul pela Siderúrgica Tomé Ltda, sob a orientação do mestre uruguaio Miguel Angel Laborde.
Os moldes em gesso, trazidos da Itália, foram trabalhados com o desenho do consagrado escultor Augusto Murer, de Falcade, Belluno, Itália.
A pátina foi aplicada na Metalúrgica Abramo Eberle S.A. e o sistema eletrônico idealizado e construído por Remo Gianella. O peso total das portas é de 07 toneladas.
Na inauguração das portas, ao final da cerimônia, Dom Carlo Furno, representante do Papa no Brasil, realizou a consagração. No evento aconteceu o descerramento da "Lápide Comemorativa pelo Prefeito Municipal Victório Trez em nome da comunidade caxiense, e do quadro em bronze, de Aldo Locatelli, pelo próprio filho, engenheiro Roberto Locatelli e por Miguel Laborde.As portas da Igreja São Pelegrino de Caxias do Sul estão profundamente vinculadas à história local:

 Porta da Justiça (direita)
 Apresenta dois grupos de imagens:
Ao alto, o mapa das dezessete léguas que constituíram o território da colônia de Caxias representa a divisão das terras que foi praticada pelo governo imperial quando as destinou aos imigrantes italianos. É a exaltação da pequena propriedade que deu origem a todas as comunidades do interior, hoje conhecidas como Capelas, que são um dos maiores exemplos de como é possível conseguir um ambiente de igualdade e de solidariedade. Estas terras simbolizaram o alimento farto produzido no novo país, Brasil.

Porta da Paz (central)
Compõe-se de dezesseis quadros. Destacam-se aspectos da travessia do mar e da ocupação do solo. Todos os que morreram nos naufrágios são evocados.O ambiente do Rio Grande do Sul histórico é lembrado pelos homens a cavalo que constituem um desafio e uma atração; o trabalho na floresta abrindo clareiras e roças é mostrado pela luta árdua de homens derrubando árvores seculares; o preço em vidas e os sacrifícios demandados são figurados dos homens sofridos pela mata. É recordado com o trabalho de operários, artesãos e agricultores. Os cestos cheios evocam a generosidade da terra ao corresponder ao esforço a ela dispensado, as pombas representam a paz, fruto do amor e da justiça.

Ana Rech representada no oitavo quadro identifica a fraternidade que surgiu entre os serranos (que representa os gaúchos) e os imigrantes. A vindima é mostrada por cestos transbordantes de uva: a maternidade, tão característica da colonização é exaltada em quadro especial. Em resumo, a Porta da Paz, mostra como ela se constrói: pelo trabalho, pela dedicação e pela manutenção dos grandes valores vivamente ensinados com a Palavra e o exemplo do Divino Mestre.

Porta do Amor (esquerda)
Com imagens ágeis, cheias de movimento, Augusto Murer exalta a vida. O casal e as crianças são parte saliente dentro do conjunto. Ascrianças brincam numa evocação à felicidade, uma exaltação à família, que é a célula mãe da sociedade.