Jesus tem compaixão para com toda a pessoa humana em sua situação concreta. Por sua encarnação o Verbo de Deus tornou-se irmão de toda a humanidade. “Uniu-se de algum modo a todo o homem.” (Gaudium et Spes, 22). Ele ergueu sua tenda de peregrino no meio de nós (Jo 1,14), para partilhar plenamente a história humana. Jesus aparece sempre próximo de toda a pessoa humana na situação concreta de busca, pobreza, enfermidade, sofrimento, solidão, marginalização, exclusão, pecado e também nas circunstâncias de alegria e festa. Nada lhe é indiferente. Está inserido na história, nas culturas, nos costumes, nas alegrias e esperanças: “e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.” (Gaudium et Spes, 1). Jesus, o Bom Pastor, para fazer da vida uma doação em favor de suas ovelhas, primeiro, Ele as conhece, amando-as, e, depois, chama-as pelo nome, as conduz, defende-as, porque elas são suas, tanto as ovelhas que estão no seu rebanho, como também as outras que um dia formarão “o único rebanho com um único pastor.” (Jo 10,1-18).
A vida toda de Jesus é uma doação total (Lc 22,19-22), oferecida por todos (Mt 26,28). A vida de Jesus é total e plena. É uma vida consagrada como profeta que anuncia, como rei que estabelece um novo reino e como sacerdote e vítima que se oferece a si mesmo em sacrifício para salvar seu povo. Este amor de Jesus é esponsal: “amou a Igreja e por ela se entregou” (Ef 5,25s). A caridade do Bom Pastor se expressa na pobreza (Mt 8,20), na obediência (Jo 4,34), na virgindade (Mt 9,15). O Bom Pastor, amando assim, dá sua vida para a redenção de todos (Mc 10,45).

VIA SACRA DE ALDO LOCATELLI EM SÃO PELEGRINO         
Os quadros da Via Sacra presentes na Igreja São Pelegrino de Caxias do Sul podem ser considerados a obra prima do pintor italiano, Aldo Daniele Locatelli.
Com o auxílio de proeminente obra prima, quer-se, neste ambiente virtual, oferecer a possibilidade de cada pessoa colocar-se diante do Mistério da Cruz de Jesus e poder rezar. É importante não esquecer-se, porém, que a Cruz é sinal da fidelidade total do amor de Deus à Humanidade, constituindo-se, pois, como passagem para a grande novidade e surpresa de Deus, a saber, a Ressurreição.

CONTEMPLAR E REZAR O CAMINHO DA VIA SACRA DE JESUS - Clique sobre as estações abaixo para ver maiores detalhes:

 
       
 

RESSURREIÇÃO É O CENTRO DA VIDA CRISTÃ

A paixão, morte e ressurreição formam uma unidade indivisível. Constituem a totalidade de um único Mistério Pascal. Por isso, é preciso olhar a ressurreição de Jesus no eixo morte-ressurreição. A cruz e a sepultura de Jesus só têm significado à luz do evento pascal, isto é, da passagem de Jesus da morte para a ressurreição. A ressurreição dá sentido para todo Mistério Pascal. Por isso, é também o fundamento e a razão última da fé cristã. Assim, o eixo, morte-ressurreição não pode em absoluto ser separado. Logo, se, por um lado, na morte temos o movimento de fora para dentro, ou seja, a história atinge a Deus, por outro, na ressurreição temos o movimento de dentro para fora, ou seja, Deus atinge a história.
A ressurreição, que é o auge da vida de Jesus e do processo da Aliança de Deus com o seu povo, funda a experiência das primeiras comunidades cristãs e do discipulado de Jesus Cristo. A ressurreição, confirmada pela vinda do Espírito Santo, é fonte de vida e entrega para o amor ao próximo, pois é máxima expressão do amor de Deus em Jesus Cristo à humanidade. Por isso, a ressurreição é uma ação trinitária. O Pai que ressuscita o Filho pelo Espírito Santo é a confirmação da nova Aliança em Jesus Cristo. É o ápice do processo da Aliança na história da salvação, pois Jesus ressuscitado é o Reino de Deus em plenitude que irrompe na história humana. Se Cristo não tivesse ressuscitado a pregação seria em vão (1Cor 15,14).
A ressurreição é a resposta positiva de Deus a toda a vida de Jesus. É a resposta à sua pregação do Reino. É a resposta de Deus ao grito do Filho. Resposta não diferente do grito dos filhos do Egito e de tantos filhos por mais vida. É sinal da vitória da vida sobre a morte. É expressão de fidelidade de Deus à Aliança como o Deus que ouve o clamor do povo e opta pelos mais fracos. É a totalidade do amor do Pai que comunga do projeto do Filho e abre um horizonte todo novo, recriando a humanidade, dando-nos a certeza de nossa ressurreição (1Ts 4,14). A ressurreição de Jesus Cristo dá sentido à sua morte. Torna-se morte salvífica. É certeza do cumprimento da promessa, tendo na parusia seu acabamento. A sua vida ressuscitada é signo de liberdade e início da transformação dos homens e do mundo pelo Espírito. Jesus não depende mais dos determinismos espaciais e temporais. Vive-se um novo estado de ser, da plenitude e da eternidade.
A face de Deus é revelada na ressurreição de Cristo. “Deus é aquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos” (Rm 4,24). Jesus Cristo glorioso é a imagem do Pai. Revela a sua face. Toda a vida de Jesus foi uma Revelação de Deus Pai. A ressurreição é o maior prodígio de Deus. Pela ressurreição, Jesus é constituído o Senhor da nova Aliança e enviou o Espírito Paráclito, para renovar e recriar a humanidade através da memória e ação de Jesus. Levar-nos-á à comunicação plena na Trindade. Com Jesus ressuscitado inicia o tempo da missão da Igreja.